Depois de alguns dias com minha família, depois de comemorar a virada do meu jeito bem tradicional (completamente alheia a tudo, sem entender essa falsa sensação de recomeço que acomete as pessoas nessa época, afinal, posso recomeçar no dia 25 de maio, ou no dia 03 de outubro se eu quiser, ou não? ahhh, mas aí não rola festa, comida e bebida, né? tá certo, quase entendi agora...), enfim, depois desses dias nada atrativos mas mesmo assim agradáveis, estou de volta à minha cidade.
Viagens em família são particularmente interessantes. São as pessoas que você mais conhece, e que mais conhecem você (ao menos, na teoria), um vínculo que permite que tudo seja dito ou feito, uma espécie de liberdade familiar. Não preciso explicar muita coisa porque todo mundo vai saber do que estou falando. Isso pode ser bom, e também pode ser muito, muito ruim. No meu caso, chata que sou, acaba sendo na maioria das vezes ruim. De qualquer maneira não entrarei em detalhes sobre a participação da minha família na minha viagem de final de ano, preferi falar de um acontecido que me fez ver o quanto um homem pode ser incompreensível.
Conheci o Geovani na penúltima noite, no hotel. Ao lado das piscinas havia música ao vivo e muita gente estava por lá. Minha irmã e eu, animadas que somos, dançávamos sozinhas em um canto. Os dois moços chegaram um tempo depois, se aproximaram e nos chamaram pra dançar. Minha irmã (cinco vezes mais animada que eu) aceitou de cara, e eu, pra não ficar sozinha e vendo o quão bem afeiçoado era o rapaz, aceitei também. Aliás, nisso não posso reclamar dele, apesar de ogro ele até que era bem bonito, quase 1,90 de altura, um corpo lindo, moreno e um tanto tímido. Se eu não começo a conversa enquanto dançávamos acho que ele não ía dar uma palavra sequer. Conversamos, dançamos, e eu que não estava muito afim de ficar com ninguém, logo quis voltar para o meu lugar. Pedi licença ao moço e fui, e para minha surpresa, ele veio junto... tá, relevado, uma vez que eu não disse "tchau" antes de sair. Conversamos um pouco mais e eis que vem a perguntinha que não pode faltar "você tem namorado?", fingi que não ouvi e soltei um "oi?" (buscando um pouco mais de tempo pra saber se dizia que sim ou que não... meu sexto sentido, que nunca falha, mandou dizer que sim, então...), ele perguntou outra vez e eu respondi segura de mim "tenho sim". Depois disso tive que explicar o porque de estar ali sozinha, mas nessa eu me sai muito bem.
Fim de festa, o cara chama pra dar um volta (clássica, até ai tudo previsível) eu neguei, ele então me acompanhou até o hall. À partir daí começou meu pesadelo... o cara tentou de todas as formas me beijar, e ao ver seu amigo dando um selinho (sim, ainda se dá selinho!!) na minha irmã, virou pra mim e disse "acho que vou fazer o mesmo...", sem nem me dar tempo pra uma reação, me agarrou e me deu um (uns) senhor beijo. Eu (já sem paciência com ele) tentei me esquivar, empurrei, fiz o que pude pra afastar aquele doido, mas ele, muito mais forte que eu, demorou até se tocar que eu não queria nada daquilo. Fiquei puta (no caso brava, ok?) e fui para o meu quarto.
No outro dia, logo de manhã, quem eu encontro na piscina, me esperando? O próprio... logo de cara me pediu desculpas, disse que ele não é assim, que ficou sem jeito com o acontecido e (típico de homem) disse que a culpa era minha, por ser assim, tão bonita... (rs... e eu ainda tenho que ouvir isso, pode?!). Enfim, falei um monte pra ele (entenda um monte de coisas nada agradáveis) tanto que eu no lugar dele tinha ficado muito bravo e sem graça... Mas você acredita que o cara insistiu comigo o dia inteiro? Me procurava em todo lugar, me enchia de elogios, e eu? já pensando em chamar a polícia. Tanto insistiu que me fez pegar seu telefone, msn, e-mail, endereço, pra que se um dia eu fosse à sua cidade o procurasse. Perguntei porque ele insistia tanto depois de tudo e depois de saber que tenho namorado... o que ele disse? "Ahh... mas eu só quero ser seu amigo, você é muito legal...". Sei, sei...
Deixei o papel com os contatos em algum lugar do hotel, não quero saber do moço nem pintadinho de ouro. Cara sem noção. E mais interessante que ver ele achando que eu desculpei a atitude ogra dele foi ver que quanto mais eu dizia não, mais ele me queria. Agora me diz, quem entende?
Homem ogro ninguém merece, mas um ogro chicletinho é intragável!
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