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5 de jan. de 2009

Encontros - PARTE I

Quando chegou foi impossível não olhar pra ele. “Que carinho aos meus olhos” disse, rindo, a quem estava ao meu lado. E eu que já dava a noite por encerrada... O belo par de olhos castanhos me serviu apenas como aperitivo, dali em diante esbaldei-me em um banquete de ombros, peito, braços, pernas, pêlos, tudo deliciosamente posto e exposto (não tanto quanto eu gostaria), para o meu deleite. Sempre acreditei que há dias em que Deus se vê incrivelmente inspirado, e porque não dizer generoso, e caprichosamente cria, retoca, esculpe a carne e os gestos de certos seres, e os manda à terra na certeza de que irão semear tamanha inspiração. Belos! Saborosos! Instigantes! Impossível não desejá-los, impossível!

Como não querê-lo se só de olhar para ele sentia umedecer o corpo? Se eu era tomada por meus instintos então... suspirava. O observei sem muitas expectativas inicialmente, afinal, eu estava ocupada demais medindo-lhe as formas, imaginando que detalhes teriam, que gosto teriam, mas ele, ciente do que me provocara, passou a medir-me em igual minúcia. Despiu-me de tal forma que mesmo elegantemente vestida me senti completamente nua. Como se me conhecesse, não precisou de nenhuma palavra para falar-me o quanto me queria, o fez com os olhos, insistentes e penetrantes. A mim não cabia negar, não cabia, não queria, não podia. Aquele homem seduziu-me a ponto de me fazer perder e ganhar, perder meu juízo, mas ganhar um dono. Ele, claro, meu dono.

Alguns minutos se passaram enquanto jogamos esse nosso jogo, minutos, preliminares, o começo do que eu sabia que ele era capaz de fazer. Veio em minha direção sem tirar seus olhos dos meus, lábios serrados, sorriso sacana. Cada passo que ele dava era um palpitar em meu peito, gelava-me o estômago, aumentava minha vontade. Chegou cheio de si, mas eu também chegaria se soubesse, e ele sabia... sabia que eu era dele. Conversamos amenidades, cumprimos o protocolo, mas já era tarde, não só no medir das horas, mas já tínhamos perdido tempo demais... Convidou-me a sair com ele, e eu até ameacei uma negativa para que ele não se achasse o homem mais desejável daquele lugar (embora o fosse), mas quando ele me ofereceu um vinho tinto chileno... não resisti, fazer o que se eu tenho uma queda pelos chilenos? rs.

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