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25 de jan. de 2009

Indo um pouco além do sexo, das drogas e do rock'n roll...

Lá estava eu, dirigindo por uma das principais avenidas da minha bela capital, quando ao passar sob um de seus viadutos notei um grupo de pessoas que vive ali. Não era a primeira vez que eu os via, mas talvez, infelizmente, tenha sido a única vez que os tenha notado. Sempre que passo por ali estou com pressa, muitas vezes pensando no que irei fazer quando chegar ao meu destino. Mas dessa vez fiquei sem reação, em silêncio, sem conseguir pensar em nada. Minutos depois, como que de súbito, me perguntei... "em que momento foi decidido que eu estaria aqui e eles ali?", em que momento alguém ou alguma coisa, ou talvez coisa nenhuma, um mero acaso, decidiu que eu estaria "desse lado do mundo", que nasceria em uma família onde eu não teria privações, teria muitas oportunidades, uma vida tranquila, e aqueles homens estariam ali, crianças já nascidas naquela realidade, vivendo à margem da sociedade, passando frio e fome sem qualquer perspectiva de futuro.

Haveria algum motivo pra isso? Sorte? Destino? Deus? Sem avaliar o que fez cada uma daquelas pessoas para estar ali, mas, e se o "estar ali" fosse algo necessário, premeditado, inevitável? Tenho minhas suspeitas (crenças), mas...

Em seguida senti uma espécie de "alívio egoísta", sabe? Por pensar naquilo que tenho. Mas e se isso for uma responsabilidade? E se a vida for mais fácil pra mim porque algo, infinitamente mais poderoso, acreditou que eu seria capaz de fazer alguma coisa por aqueles que precisam? É mais fácil mas faz parte do teste?

(signo de gêmeos, meu amigo, "planta" uma dúvida da minha cabecinha pra ver quantas perguntas sou capaz de fazer em um único minuto... enfim... foco... foco...)

Não sei de nada mesmo... Não entendo essa lógica sem lógica que move as nossas vidas. Mas talvez, seja esse o objetivo. O que sou capaz de ser e de fazer, sem saber as reais consequências dos meus atos.

É isso. A ressaca me deixa mais humana, me faz pensar. Vou tomar um porre mais vezes.

Um comentário:

  1. Como cético não acredito que haja um motivo, não acredito que “alguém ou alguma coisa” interfira. Quem faz o mundo dos homens são os homens (no meu entendimento).
    Nestes dias, parei no farol em uma avenida muito importante aqui de São Paulo e haviam duas meninas muito pequenas, uma chorava. Ela me pediu: “tio, dá uma moeda”. Nisso o farol abriu e antes que alguém atrás buzinasse, fui embora. Tive vontade de parar e saber se haviam comido alguma coisa. Fiquei com muita pena das meninas, pelo fato de estarem alí, ou sem se alimentar, ou por imposição de algum adulto.
    Quem faz nosso mundo somos nós mesmos, e as consequências, idem. O problema é que em quase todo farol, viaduto, etc, há esse tipo de situação de partir o coração, que nos dá o que pensar. Nossa capacidade de ação é muito limitada. Parece haver uma confluência entre a falta de condições com a falta de escrúpulos.
    Um abraço.

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