Tinha todos os motivos para não gostar dele, afinal, ele era a personificação de tudo o que ela odiava. O conheceu em uma noite qualquer, em um lugar qualquer, quando ela voltou seus olhos para o palco e o viu. Guitarrista de uma banda de rock'n roll, tocava Presley, Dylan, Rolling Stones, The Doors, Nirvana, e tudo mais. Delícia de ouvir... Tocaram clássicos e tocaram deles. Por instantes ele voltava-se à platéia... "Verdes... lindos olhos verdes", olhos que teimavam em buscar outras direções, que não a ela. Intrigante... que interesse era este por alguém como ele? Aquele jeito de "poucos amigos", de menino mau, brincos na orelha, tatuagens pelo corpo. Definitivamente, era algo que nunca a atraira.
Tocaram algumas músicas e ao final, sairam à "francesa". Ele? Dirigiu algumas palavras em agradecimento, e para sua surpresa voltou-se a ela cedendo, finalmente, um rápido e discreto sorriso. Minutos depois ele veio e se apresentou. Olhos nos olhos, um aperto de mãos... ele sentou-se ao seu lado, embalou uma conversa, e foi então que ela pode observá-lo melhor. Cabelos negros, não muito curtos, antes escondidos por um boné, um rosto lindo, e os olhos... ahh, aqueles olhos... seria capaz de ficar horas observando-os. Ficaram ali um tempo, em uma conversa regada a goles de whisky e alguns Marlboros.
Ela também não fazia o tipo dele. Ela não trajava preto, não "carregava" na maquiagem, falava baixo e sempre sorria. Era simples e delicada, muito diferente de tudo que ele já experimentara. Mas a vontade de sentí-la o consumia, sua aparente fragilidade, toda aquela delicadeza, o fez imaginar que mulher seria ela. Dali foram para casa dele, ainda tomaram mais alguma coisa enquanto se beijavam. Ela se levantou, ficou de frente para ele e sem pressa se despiu, tocando cada parte do seu corpo a medida que era exposta. Ele apenas assistia, extasiado. Quando se viu completamente nua diante dele, chegou mais perto, sentou em seu colo de frente para ele, e o beijou. Dai em diante ele se reservou a não mais olhar pra ela, mas a sentí-la, com as mãos, com a boca, com a língua. O jeito com que ele a conduzia era à ela absurdamente excitante, sem receios, com força, dominando-a por completo. E assim se consumiram por uma noite inteira, ela nunca se sentira tão submissa a alguém em toda sua vida, e ele nunca tinha conhecido uma mulher como ela.
Depois dessa noite vieram outras, sempre tão deliciosas. As diferenças os impediram de um relacionamento que fosse além de suas camas, mas o desejo que sentiam um pelo outro foi suficiente para dar à eles o que, naquele momento de suas vidas, eles queriam.
Certas coisas a gente nunca esquece...
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